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José Regalo: «Sei que passei ao lado de uma grande carreira» Ana dias
ATLETISMO – Jose Regalo (ao centro), atleta do FC Porto, durante o IV Campeonato da Europa de Corta-Mato, disputado em Oeiras. (ASF/PRESS PHOTO AGENCY)

AO FIM de mais de 20 anos de carreira, José Regalo abandonou o atletismo de competição. 

 “Se passei ao lado de uma grande carreira internacional? Sim, tenho consciência disso, tenho consciência de que, a partir de 1988, quando ganhei os mais importantes ‘meetings’ europeus e a final do Grande Prémio da IAAF (fui o único português a consegui-lo, o que nunca vejo referido), poderia ter feito algo a nível internacional. Mas o que fica para a história é aquilo que fiz e não o que poderia ter feito…”

O ponto-chave da sua carreira foi a final de 5000 metros dos Jogos de Seul. Partiu como favorito mas depois de, na eliminatória, ter ficado sem um sapato e ter queimado a planta do pé, acabou por desistir na final. “Foi, realmente, uma grande decepção. Mas continuo a afirmar hoje o que disse na altura. Não há desculpas a dar. O problema no pé pode ter prejudicado um pouco mas o determinante foi o cansaço físico e psicológico com que cheguei à final olímpica e o facto de ter havido três corridas em cinco dias. Se essa final foi a maior tristeza da minha carreira, o ter estado nos Jogos foi a grande alegria. Afinal, esse era o meu sonho de criança…”

A partir dos Jogos de 1988, a carreira de Regalo não mais foi a mesma. “Tudo começou no Cross das Amendoeiras de 1989, que por sinal ganhei. Comecei a ter problemas nos tendões de Aquiles, que condicionaram tudo o resto. Como não podia treinar o suficiente, quando forçava apareciam roturas e contracturas.” Regalo seria operado a um joelho em 1990 e aos tendões há dois anos. Já demasiado tarde… “Mas não estou a atribuir responsabilidades apenas aos treinadores e aos médicos. Também me culpabilizo a mim…”

«Custou-me muito deixar o FC Porto»

José Regalo: «Sei que passei ao lado de uma grande carreira» Ana dias

Foi em 1988. José Regalo ganhara uma série de “meetings”, derrotando todos os melhores especialistas mundiais e apresentava-se como favorito para a corrida dos 5000 metros nos Jogos Olímpicos de Seul, na Coreia do Sul. Já os atletas portugueses tinham partido para a capital sul-coreana quando rebentou a “bomba” em Portugal: José Regalo, António Pinto e outros atletas do FC Porto transferiam-se em peso para o Benfica. A notícia foi conhecida pouco antes de outra “bomba” no meio desportivo nacional: os futebolistas benfiquistas Rui Águas e Dito haviam ingressado no FC Porto e os acordos entre os dois clubes haviam sido rompidos.

O antigo atleta recorda hoje para Record os tempos conturbados de então. “Realmente, foram umas transferências muito mediáticas. Marcel Almeida, a quem o atletismo muito deve, queria fazer no Benfica uma grande equipa e convidou-nos.” E Regalo acrescenta: “Custou-me muito sair do FC Porto, o Alfredo Barbosa, o nosso treinador, até chorou, mas tive que olhar pela minha vida. Tentei tudo para resolver a questão com o FC Porto, mas tal não foi possível. Se fosse hoje, e sabendo das lesões que me afectaram a seguir, talvez não tivesse saído. Mas naquela altura…”

«Cheguei à selecção pelos obstáculos»

José Regalo ainda é (desde o Campeonato do Mundo de Roma de 1987, no qual foi finalista) recordista nacional de 3000 metros obstáculos, especialidade que depois deixou para se dedicar aos 5000 e 10 000 metros.

“O meu objectivo era ter um lugar na selecção nacional e, nas corridas planas, estava tapado por uma série de atletas, desde o Fernando Mamede, o António Leitão, o Ezequiel Canário, o João Campos, aos Castros que têm a minha idade (nascemos no mesmo dia!) e estavam então a aparecer”, relembra o antigo atleta, prosseguindo: “Lembro-me que, em 1987, fiz mínimos nas três provas mas, para dar entrada a mais atletas nos 5000 metros, obrigaram-me a ir aos obstáculos. Depois, o Domingos Castro foi medalha de prata nos 5000 metros. Não quer dizer que eu também o fosse, mas era capaz de ter conseguido melhor que o 11º lugar que obtive nos 3000 m obstáculos…”

A partir daí, José Regalo deixou os 3000 metros obstáculos em definitivo. 13 anos depois, Portugal voltou à final de uma competição de nível mundial, através do sportinguista Manuel Silva nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000. Mas o recorde nacional ainda está a quatro segundos…

Pinto da Costa impediu ingresso de Regalo no Sporting

José Regalo: «Sei que passei ao lado de uma grande carreira» Ana dias

Dois anos antes de ingressar no Benfica, José Regalo esteve com um pé no Sporting. “Foi um segredo que só agora posso revelar. Cheguei a ir a Lisboa para acordar tudo com Rui Pignatelli, então dirigente do Sporting. Era um sonho que tinha, pertencer àquela grande equipa de meio-fundo. Mas Pinto da Costa opôs–se e como havia um acordo entre os clubes…”

Quem é quem

Nome: JOSÉ REGALO
Data nasc.: 22/11/63 (Vila Real)
Clubes: USC Paredes (até 1983), FC Porto (1984 a 1988), Benfica (1989 a 1992), Maratona (1993 e 1994), Terbel (1995), Sporting (1996 a 1999), Terbel (2000 e 2001)
Recordes pessoais: 1500 m/3.40,1 (1988); 5000 m/13.15,62 (1988); 10.000 m/28.02,4 (1988); 3000 obst./8.20,70 (1987) – rec. nacional
Títulos nacionais: 6 em 3000 m obstáculos (1984, 1985 e 1986), 10.000 m (1988) e 5000 m (1988 e 1995)
Principais competições: Jogos Olímpicos de Seul’88; Mundiais de 1987 (11º nos 3000 m obstáculos) e 1993; Europeu de 1986 (9º nos 3000 m obs.)

Recordes pessoais

Muitos Parabéns Grande Campeão .

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